Uma visão geral da TI híbrida e das habilidades necessárias para gerenciar ambientes híbridos
Por Kong Yang, gerente técnico da SolarWinds
 
Considere a corrida até a nuvem: empresas de todos os portes em quase todos os setores estão fazendo imensas alterações em sua infraestrutura tecnológica. O mercado está evoluindo da TI tradicional nas próprias instalações para uma estratégia híbrida motivada pela nuvem. De fato, não é mais uma questão de “se”. Em vez disso, a pergunta para a maioria das organizações mudou para “quando” a passagem para a nuvem deverá ocorrer.
Na verdade, o “Relatório de tendências de TI da SolarWinds de 2015: negócios à velocidade da TI” identificou que quase 75% dos profissionais brasileiros de TI participantes da pesquisa já migraram pelo menos parte de sua infraestrutura para a nuvem. Além disso, de acordo com a mais recente previsão de tendências da IDC para 2016, “IDC FutureScape: previsões para o setor mundial de TI em 2016 – liderando a expansão da transformação digital”, até 2020, os gastos com serviços de nuvem, bem como hardware e software relacionado, será superior a US$ 500 bilhões, o que corresponde ao triplo do nível atual.
Independentemente de as organizações estarem em busca da economia de custos ou da melhoria na agilidade dos aplicativos, uma coisa é certa: a migração que está acontecendo agora não pode ser feita sem profissionais de TI qualificados no controle, especialmente nos próximos anos.
 
TI híbrida
No entanto, em quase todos os ambientes, existem cargas de trabalho que sempre foram mantidas nas instalações e provavelmente permanecerão ali no futuro. Essa realidade tornou-se conhecida como TI híbrida: migrar alguma infraestrutura para a nuvem, enquanto se mantêm alguns serviços críticos no local. Ao mesmo tempo, a dependência de aplicativos para a condução de negócios continua crescendo, o que cria expectativas de desempenho mais altas que nunca.
Como resultado dessa mudança acontecendo sob a superfície à medida que as organizações passam alguns elementos de sua infraestrutura para a nuvem, combinada com o aumento das expectativas quanto ao desempenho em um mundo de negócios determinados pelos aplicativos, a função de TI continuará enfrentando uma pressão e complexidade cada vez maiores.
 
Efeito híbrido
Essa jornada rumo à nuvem está mudando a cara da profissão de TI. Os profissionais de TI na era da TI híbrida devem transcender seus papéis tradicionais e possuir uma profunda compreensão de redes empresariais, data centers e entrega de aplicativos. Além disso, também precisam da habilidade de gerenciar infraestruturas, integrar serviços de nuvem e garantir uma qualidade de serviço (QoS) que atenda às necessidades de desempenho da empresa com relação a todo serviço entregue por meio de um provedor de nuvem.
Os profissionais de TI que operam em ambientes híbridos não são apenas responsáveis pela automação e orquestração de hardware de computadores, softwares, bancos de dados, redes, sistemas virtualizados e outros elementos definidos por software da infraestrutura de TI nas próprias instalações, mas também são incumbidos de gerenciar a integração dos serviços de nuvem, bem como garantir um QoS aceitável para atender às necessidades de desempenho da empresa quanto a todos os serviços entregues por meio de um provedor de serviços de nuvem.
Embora o papel efetivo do “profissional de TI híbrida” variará com base nas necessidades específicas de cada empresa, a função costuma envolver atividades e tarefas como gerenciar contratos de nível de serviço com provedores de nuvem, otimizar o desempenho da infraestrutura e dos aplicativos, tanto nas instalações quanto na nuvem, e migrar e prover recursos para a nuvem. Os profissionais da TI híbrida deverão se tornar generalistas para serem bem-sucedidos, visto que lidarão com vários domínios e conjuntos de habilidades.
 
Crise de identidade da TI
Para entender melhor as mudanças específicas que a TI híbrida está acarretando na função do profissional de TI, a SolarWinds conduziu recentemente uma pesquisa com quase 100 membros de nossa comunidade thwack de profissionais de TI de todo o mundo. Além de confirmar que a vasta maioria dos profissionais de TI agora trabalha em ambientes de TI híbrida, ela também concluiu que quase metade (48%) se identifica com o termo “profissional de TI híbrida”.
Além disso, enquanto cerca de 20% dos participantes da pesquisa disseram que a mudança para a TI híbrida facilita o trabalho da TI por eliminar a responsabilidade pela manutenção da infraestrutura subjacente, dispensar o pessoal de TI do gerenciamento no dia a dia pelo menos de parte da infraestrutura e proporcionar maior flexibilidade e agilidade à infraestrutura, 50% indicaram que a TI híbrida dificultou seu trabalho, sendo que 7% entre eles indicaram que seu trabalho se tornou muito mais difícil. Os principais motivos mencionados para esse aumento na dificuldade incluem um nível reduzido de controle direto sobre a segurança dos dados na nuvem, menos controle e menor visibilidade de serviços baseados na nuvem e aumento da complexidade do gerenciamento e monitoramento.
Com relação a cada um desses motivos, os participantes da pesquisa também identificaram a necessidade de um conjunto completamente novo de habilidades técnicas e de gerenciamento como um dos principais determinantes do aumento de dificuldade acarretado pela TI híbrida. Na verdade, quase dois terços (64%) disseram que se sentem no máximo moderadamente confortáveis ao gerenciarem ambientes híbridos.
Em geral, isso faz lembrar o grande valor que existe na TI híbrida, mas sem profissionais de TI que tenham dominado as novas habilidades exigidas por ela, será difícil conseguir o sucesso.
 
Habilidades necessárias ao sucesso da TI híbrida
A pesquisa anteriormente mencionada também fornece informações sobre as principais habilidades que os profissionais de TI dizem ser as mais necessárias para aumentar sua confiança ao gerenciarem ambientes de TI híbrida. Aqui, damos uma olhada mais a fundo nas seis principais, que são:
 

  • Arquiteturas orientadas para serviços
  • Automação
  • Ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento da TI híbrida
  • Gerenciamento de fornecedores
  • Migração de aplicativos
  • Arquiteturas distribuídas

 
Arquiteturas orientadas para serviços
Os profissionais de TI que trabalham com arquiteturas orientadas para serviços (SOAs) têm muitos pilares e camadas a considerar, mas no cerne encontram-se o provedor de serviços e o consumidor dos serviços. O que eles têm em comum? Serviço, é claro.
Atualmente, os pilares padrão do setor de SOA são a interface com o consumidor, a camada de negócios, os serviços e seus componentes e os sistemas operacionais que conectam o modelo de dados ao fluxo de dados. Transversalmente a esses pilares há quatro camadas: suporte a integração e protocolos, qualidade de serviço (QoS), informações de negócios e governança. Quando consumidores usam qualquer site de comércio eletrônico, dependem do SOA. Um exemplo de SOA é quando os consumidores fazem a transmissão do Netflix. As principais medições de desempenho, como largura de banda da rede e latência da rede da nuvem do Amazon Web Services (AWS), bem como a experiência do usuário final (ou seja, problemas informados), são constantemente monitoradas, com seus problemas solucionados e corrigidos pelos engenheiros do Netflix e seus scripts para garantir uma experiência tranquila a todos os seus usuários simultâneos.
À medida que mais empresas mudam para um modelo de TI híbrida, precisarão ser mais ágeis, otimizadas e econômicas. A fim de atender a essas necessidades, as barreiras ao consumo deverão diminuir. Assim, os profissionais de TI precisarão aproveitar modelos e serviços de mercados como AWS, Microsoft Azure e IBM Bluemix, enquanto compreendem como integrar os serviços por meio de APIs, como REST. Para continuar aprimorando as habilidades e o conhecimento em SOAs, os profissionais de TI devem ter uma compreensão fundamental de arquiteturas de aplicativos e de como expandi-las, um sólido entendimento de sistemas distribuídos, bem como do uso de APIs. .
Os profissionais de TI também devem ter um sólido conhecimento em operações de TI. Esse conhecimento representa uma boa base para os contratos de nível de serviço (SLAs), visto que a integração dos serviços de nuvem incluirão uma boa dose de leitura de SLAs.
 
Automação
Pode-se esperar a evolução da automação à medida que os ambientes de TI híbrida tornam-se mais prevalentes. A razão é simples: a automação permite a expansão, a agilidade e a disponibilidade que as empresas exigem, mas a automação de hoje é feita principalmente com scripts. À medida que mais empresas passam para um ambiente de TI híbrida, em que os recursos da infraestrutura representam apenas uma parte da equação, elas precisarão de mais do que scripts para obter a automação, à medida que reduzem a fricção para o consumo por seus usuários finais.
Os provedores de serviços de nuvem já estão fazendo mudanças para eliminar a barreira aos serviços de consumo, pela prestação de serviços predefinidos e fáceis de usar. Essa nova direção inclui opções como modelos, planos gráficos e APIs. Por exemplo, o Amazon QuickSight abstrai todos os requisitos associados à construção de modelos de big data e implementações de inteligência de negócios para proporcionar aos usuários rapidez ao criarem visualizações e derivarem informações de seus dados. Este é um exemplo de como os serviços continuarão a expandir o que a automação precisa englobar a fim de orquestrar muitos fluxos de trabalho simultâneos em vários data centers em um futuro em que a TI será cada vez mais híbrida.
A automação no ambiente de TI híbrida abstrairá a camada de operações e será integrada a algoritmos de aprendizagem por máquinas que expandirão, moverão e corrigirão os serviços de forma automática. Além disso, os profissionais de TI precisarão integrar seus fluxos de trabalho de automação e orquestração a APIs dos provedores, que atuam como componentes para construção e conexão de sua pilha de aplicativos.
 
Ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento da TI híbrida
Com muitas das ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento nas instalações de hoje, os profissionais de TI têm, com frequência, uma visão díspar de seus ambientes – camadas de computação, armazenamento, rede, virtualização e aplicativos. A profusão de diferentes ferramentas e processos entre as várias plataformas é difícil de gerenciar, e mais ainda de expandir.
Para ambientes de TI híbrida, uma visão completa do data center nas instalações e da nuvem é ainda mais crítica. Os profissionais de TI podem criar uma ferramenta para agregar, consolidar e visualizar as principais medições de desempenho e eventos e compilar os principais pontos dos dados a fim de discernir quais são as informações mais valiosas em suas pilhas de aplicativos. Como alternativa, podem aproveitar um fornecedor de monitoramento que tenha uma solução de ponta a ponta que possa fornecer o ponto único de verdade para suas necessidades de TI, desde suas instalações até suas nuvens.
Lembre-se de que empresas de todos os portes enfrentam os desafios de implementar e sustentar com sucesso um ecossistema eficiente e eficaz de TI híbrida. Qualquer empresa contrária a mudanças considerará um desafio o processo de simplificar suas ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento, mas trata-se de um esforço necessário que vale a pena. Ele ajuda em grande medida a arraigar os princípios do DevOps à cultura, visto que o gerenciamento de mudanças e a rápida alternância de tarefas são pressupostos centrais em comum.
Em geral, independentemente de um ambiente restringir-se às instalações, à nuvem ou ser um ambiente de TI híbrida, o monitoramento, enquanto disciplina, continuará sendo a habilidade mais importante e fluida necessária aos profissionais de TI, devido à sua capacidade de transcender todos os ambientes. Sob o monitoramento em termos mais abrangentes, há o que chamamos de estrutura DART: descoberta, alerta, remediação e solução de problemas. Cada uma dessas habilidades não é apenas aplicável a ambientes restritos às próprias instalações, mas é ainda mais crucial quando a nuvem está envolvida. Além disso, elas ajudam o profissional de TI na transição para o modelo de TI híbrida.
Ainda que arquiteturas orientadas para serviços, automação e ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento da TI híbrida sejam as três principais habilidades necessárias ao devido gerenciamento de ambientes de TI híbrida, elas certamente não são as únicas necessárias. No próximo e último capítulo do livro eletrônico, exploraremos essas três habilidades mais importantes da TI híbrida, delineando as principais seis identificadas por nossa pesquisa.
 
Gerenciamento de fornecedores
O gerenciamento de fornecedores em um ambiente de TI híbrida pode ser definido mais especificamente como o gerenciamento de provedores de serviços de nuvem, o que pode variar desde nenhum gerenciamento adicional – em outras palavras, o simples fornecimento de um número de cartão de crédito – até o uso de uma plataforma de gerenciamento de nuvem ou de um agente de serviços de nuvem para atuar como criador de mercado. O gerenciamento de fornecedores tem dois aspectos, visto que os profissionais de TI deverão gerenciar o aspecto tecnológico dos ambientes de nuvem, além de gerenciar o lado comercial dos termos e condições dos provedores de serviços de nuvem, bem como os diferentes modelos de preços, que mudam com o tempo. Digamos que isso lhes proporcionará mais oportunidades de expandir suas carreiras e funções.
Atualmente, não cabe à maioria dos profissionais de TI desempenhar um papel em negociações comerciais que incluam termos jurídicos e de precificação, mas à medida que os contratos adquirem mais nuances, os profissionais de TI deverão apostar no trio: visão de negócios para negociação de contratos, competência técnica para entender e usar os serviços de nuvem disponíveis e gerenciamento de projetos. Tudo isso exigirá a habilidade de gerenciar orçamentos com eficácia, dissecar termos e condições e compreender o que deve ser incluído ou excluído dos contratos de nível de serviço.
O gerenciamento de fornecedores é de máxima importância à medida que os profissionais de TI passam do consumo estrito de serviços de fornecedores para também terem que gerenciá-los. Existe uma enorme variedade de modelos de consumo e, sem uma noção aguçada de tais modelos, os orçamentos podem ser facilmente estourados.
 
Migração de aplicativos
A migração de aplicativos para a nuvem pode ser difícil e demorada, não sendo raro um único aplicativo levar muitas semanas. No entanto, empresas como IBM, Microsoft e Amazon começaram a facilitar muito a migração de aplicativos para a nuvem.
Hoje, o Amazon Web Services (AWS) e o Microsoft Azure oferecem uma variedade completa de serviços que essencialmente permitem aos clientes migrar aplicativos para a nuvem. Com as ferramentas de migração dos provedores de serviços de nuvem disponíveis hoje para os profissionais de TI, cada aplicativo pode ser criado na nuvem ou migrado em uma fração do tempo que costumava levar.
É claro que na verdade a migração de aplicativos não passa de uma única etapa – pode-se argumentar que o gerenciamento de aplicativos necessário após a migração inicial é ainda mais importante. Os profissionais de TI devem aplicar as competências essenciais que empregariam em um ambiente de TI tradicional. Essas competências essenciais incluem o monitoramento enquanto disciplina, que discutimos na parte dois, bem como contar com uma sólida compreensão das principais medições de eventos e desempenho do aplicativo. A solução de problemas e sua correção também são fundamentais, porque só há duas garantias em TI – as coisas mudam e as coisas falham. Portanto, contar com planos de backup e de recuperação de desastres estabelecidos pode ajudar a assegurar a continuidade do negócio.
 
Arquiteturas distribuídas
O trabalho com arquiteturas distribuídas começou em clusters de computadores de alto desempenho como uma maneira de dar conta de mais trabalho nas próprias instalações. Trabalhar com arquiteturas distribuídas exigirá o trabalho com vários provedores de serviços de nuvem em várias localidades geográficas. É importante lembrar-se que essas arquiteturas abstraem os recursos subjacentes, o que exigirá que os profissionais de TI convertam velocidades e feeds em uma qualidade de serviço (QoS) aceitável para seus usuários finais.
Os profissionais de TI que quiserem adaptar seus conjuntos de habilidades de modo a serem bem-sucedidos em ambientes de TI híbrida precisarão se acostumar a provedores de serviços de nuvem cuidando da correção em caso de falhas ou outros problemas de desempenho e, como failover definitivo, contar com vários provedores (veja acima). O controle e a responsabilidade por manter a arquitetura distribuída sairá do campo de ação da TI, mas em seu lugar haverá escolha, escala, agilidade e disponibilidade de serviços para criar arquiteturas distribuídas.
 
Conclusão
Estamos em meio a uma mudança que acontece uma vez a cada década, em que a tecnologia de negócios está evoluindo da TI tradicional nas próprias instalações para uma estratégia de TI híbrida, que aproveita serviços de TI internos e externos motivados pela eficiência e eficácia da nuvem. No cerne dessa mudança está a necessidade de garantir o desempenho de aplicativos sempre ativos – independentemente da localização.
Gerenciar aplicativos e outras infraestruturas de TI nesse novo mundo híbrido requer que os profissionais de TI estejam equipados com habilidades novas ou adaptadas, bem como as ferramentas e recursos correspondentes. Acrescentar e dominar as seis habilidades descritas nesta série – arquiteturas orientadas para serviços, automação, ferramentas e medições para monitoramento e gerenciamento da TI híbrida, gerenciamento de fornecedores, migração de aplicativos e arquiteturas distribuídas – contribui muito para garantir não apenas o sucesso da empresa, mas a longevidade das carreiras em TI.

TI híbrida: a jornada para a nuvem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *